O CONSTANTE DESAFIO DA RECRIA DE POTROS

Autor: Prof. Vinícius Silveira Raposo

Um dos maiores investimentos feitos pela grande maioria dos criadores é em genética, desde a escolha de bons indivíduos, portanto de maior valor agregado, quanto para que a reprodução possa de fato acontecer e resultar em nascimentos de produtos zootecnicamente superiores.

Nesse contexto, há planejamento e execução criteriosa de um plano nutricional para as éguas doadoras de embrião, contudo ainda há com certa frequência, a negligência nas tomadas de decisão dos cuidados com as éguas receptoras. Normalmente, essa cultura está associada ao mito que receptoras são animais de baixo valor zootécnico e podem ser mantidas em qualquer área de pastagem ou toleram dietas desbalanceadas, como no caso do fornecimento de silagem de milho como volumoso único ou mesmo aveia como concentrado único.

Boa parte do desenvolvimento do embrião e posteriormente potro nascido, está diretamente relacionado e poderá sofrer consequências pelo mau manejo nutricional ao qual essa receptora foi submetida. Até aqui, parece que nada disso têm sentido, mas é claro e amplamente relatado o entendimento de que a construção do atleta, começa mesmo antes dele nascer.

É fundamental a atenção durante toda a gestação e não apenas no terço final, pois após o nascimento e primeiras semanas de vida, o potro não é capaz de aumentar o número de células musculares, apenas de aumentar o tamanho e o volume das que já foram produzidas, durante seu desenvolvimento na fase fetal, processos conhecidos como hiperplasia e hipertrofia, respectivamente.

Especialmente nos primeiros três meses de vida, o potro depende do leite materno para seu desenvolvimento, além do fornecimento de água, de um bom volumoso e de mineral de qualidade (mesmo que o consumo esperado seja baixo, já devem estar disponíveis). Após os três meses de idade a dependência da mãe diminui e, como a responsabilidade e as tomadas de decisão são das lideranças técnicas e operacionais, deve-se dar ainda mais atenção ao plano nutricional do potro.

Como falado anteriormente, não podemos alterar a carga genética de um indivíduo, mas o manejo, a nutrição e a condição do meio em que ele vive serão determinantes na expressão das suas características genéticas. Assim, atributos determinantes para boa movimentação, saúde e vida atlética, como altura, musculatura e resistência, podem nunca ser expressas da forma correta, apenas por negligência na criação.

A cultura erroneamente difundida e que permeia o senso comum de que aumentar o volume de trato do potro após a desmama, ou apenas quando ficar mais claro que ele tem alto potencial zootécnico irá solucionar o problema, infelizmente trás sérios riscos. Os principais desafios desse tipo de manejo são sobrecarga gástrica, disbioses graves, falta de resposta zootécnica e piora no estado de saúde geral. É importante lembrar que potros não possuem ganhos compensatórios como outras espécies, portanto uma vez passada a fase de restrição nutricional, não há por que superalimentar, pois as respostas zootécnicas não são extraordinariamente melhores.

Por outro lado, outro ponto de atenção é na superalimentação, que por sinal tem sido também amplamente difundida e muitas vezes as consequências como obesidade até vistas como pontos positivos pelos criadores e treinadores. Mas os excessos especialmente de energia e, em alguns casos, de proteína na fase de crescimento podem desencadear problemas ortopédicos e desvios angulares.

Ademais, é nítida a frustração de muitos criadores que não extraem o máximo potencial de seus animais, mesmo que agora eles saibam que isso ocorreu por falhas de gestão do processo de alimentação, que por incrível que pareça, depende apenas deles.

DIRETRIZES DE ALIMENTAÇÃO DE POTROS 

À medida que as necessidades nutricionais do potro aumentam e sua dieta muda de líquida para sólida, o fornecimento de um plano nutricional adequado ganha importância.

Veja 8 diretrizes para te ajudar com boas práticas na criação de potros:

  1. Desde os primeiros dias, forneça forragem à vontade de alta qualidade (O consumo é baixo, compensa o investimento);
  2. Pese e ajuste a ração com base no crescimento e na aptidão atlética. Uma fita de pesagem, específica para a raça ou o porte dos animais em avaliação pode te ajudar a fazer um manejo mais preciso;
  3. Potros têm estômagos pequenos, então divida a ração diária em dois ou três fornecimentos;
  4. Certifique-se de que a dieta fornecida obedeça a um equilíbrio adequado de vitaminas, minerais, energia e proteínas;
  5. Escolha o melhor suplemento mineral, vitamínico e aminoácido específico para potros, de forma que você garanta que essa suplementação faça sentido para adequação da dieta às exigências nutricionais;
  6. Use uma unidade de manejo individualizado ou creep-feeding e alimente o potro separado da égua para que ele possa comer sua própria ração. Evite as situações de alimentação em grupo;
  7. Forneça água limpa e fresca à vontade, ela é fundamental para a vida;
  8. Dê prioridade para a criação de potros em piquetes para realização de comportamentos normais da espécie e da fase de vida.